Eu ia escrever um post simples, sobre API. Mas o assunto acabou esticando, um assunto chamou outro que chamou outro, tomou novos rumos… só espero que entendam a mensagem.
Parte 1 – Compartilhamento de dados de sites 2.0
O uso de APIs tornou-se cada vez mais rotineiro com a web 2.0. Caso um desenvolvedor precise criar uma ferramenta que se integre com outros aplicativos, é fundamental conhecer o API desta para poder ter acesso aos seus dados.
API é a sigla para Application Programming Interface (Interface de Programação de Aplicativos), que não passa de um "conjunto de rotinas e padrões de um software para utilizar suas funcionalidades", segundo a Wikipedia. Ou seja, são códigos que possibitam usar recursos de um aplicativo da web 2.0 em outro.
Por exemplo: Você pode usar um API do Feedburner para saber o número de leitores de feed do seu site/blog (ou de outros); Ou o API do Technorati para saber quem está linkando quem; ou ainda um API para importar seus favoritos do del.icio.us, como a nova funcionalidade de Bookmarks do Blogblogs (Bem que o Stumbleupon podia fornecer seu API para importar também). Por sinal, o Blogblogs também oferece seu API para quem quiser usar.
Alguns sites fazem questão de divulgar seu API:
Google
Yahoo
Amazon
Feedburner
Delicious
Techonorati
Flickr
Parte 2 - E os sites brasileiros, usam API?

A web no Brasil ainda é fechada como uma ostra…
Ainda na mentalidade web 1.0, a maior parte dos sites brasileiros prefere fechar seu código em volta de si mesmo, mal sabendo assim que estão com isso perdendo um grande potencial de crescimento, preferindo tapar os olhos e fingir que é algo desnecessário. Grandes lojas online como Americanas e Submarino ainda não fornecem este serviço. Com isso, estes sites perdem a oportunidade de expandir seu crescimento através de programas de afiliados que geram cada vez mais receita.
Distribuir a API seria bom mesmo para sites como o Flogão, que não chega a ser um Flickr, mas é muito mais utilizado aqui no Brasil do que o site americano. Pode ser bem melhor utilizado. Ainda temos a 8p, desprezada pelos blogueiros, mas a rede social mais usada depois do Orkut. Poderia ser mais divulgada usando um widget, não?
Parte 3 – A web no Brasil ainda é 1.0

…mas uma ostra que esconde tesouros
Enquanto buscava exemplos sobre grandes sites brasileiros que poderiam fazer uso do API, acabei esbarrando em uma realidade nua e cruel. A grande parte dos sites mais acessados no Brasil, não são brasileiros – cerca 54%, na verdade. E dos sites brazucas, destacam-se na lista os grandes portais, lojas virtuais e serviços (bancos, sites de governo e sites de operadoras de celular).
Onde estão nossos sites 2.0? A revolução não chegou aqui? A realidade é que ainda estão longe de tornarem-se populares, perante um público também 1.0. "Ah, mas é a cultura daqui…". Cultura não se nasce com ela. Se ensina.
Refletindo, cheguei a duas conclusões:
A web no Brasil é extremamente atrasada – tanto quanto o cinema brasileiro – em termo de relevância, qualidade e inovação. Mas ao menos o cinema tem uma desculpa para dar: a falta investimento, pois rodar um filme custa caro. E para a internet, qual é a desculpa? Investimento é conseqüência. Falta criatividade e empreendedorismo. O que as pessoas precisam que ainda não existe, afinal? Há um enorme campo esperando ser povoado…
Somos grandes consumidores de sites enlatados. Sempre existem exceções, claro. Mas ainda são exceções. A grande parte dos sites mais visitados é americano. Este grande mercado está chamando tanta atenção que todos os dias vemos sites estrangeiros lançando sua versão em português. E eles estão certos, se há brecha para crescer, tem que investir mesmo. Seremos sempre colonizados?
Você, você mesmo que está lendo agora este texto, faz parte de uma pequena parcela de usuários da internet no Brasil – uma pequena elite. Mas não orgulhe-se disso. Isso é um claro sinal que há muito trabalho pela frente. Para mim e para você.


























