Um dos maiores sucessos da televisão vai destruir a própria TV. Entenda como, saiba o que vai mudar e veja por que você será um dos protagonistas desta história
Por Tiago Cordeiro, com edição de Alexandre Versignassi – Superinteressante
É que está chegando a era da “TV 2.0”. Nela, você é quem manda. São milhares de opções de programas, para assistir na hora em que der na telha. Além disso, não basta ver o seriado favorito. Você pode participar dele, virar praticamente um co-autor. Ou fazer suas próprias séries, se estiver a fim. Não é devaneio. Parte dessa nova TV está aqui e agora: ironicamente, em um dos maiores sucessos televisivos da história. O festejado Lost tem por trás dele justamente os elementos que vão destruir a televisão como a conhecemos. Quer ver? Então responda rápido:
Quem são os Outros? Qual é o significado dos números que estão na capa desta revista? O que, afinal de contas, está acontecendo naquela ilha?? De todas as respostas que os devotos da série da ABC pedem a Deus, poucas estão na TV. Elas existem (pelo menos em parte), só que fora da televisão. Quem quiser entrar de cabeça na história dos sobreviventes do desastre com o vôo 815 da Oceanic Airlines, e que agora estão desaparecidos numa ilha cheia de acontecimentos inexplicáveis, deve mergulhar na internet. Precisa conhecer o universo paralelo que os produtores e fãs da série criaram lá para resolver alguns mistérios da série.
Sim, pois Lost funciona como um jogo, elaborado com uma riqueza de detalhes que não cabe só na televisão. “O espectador assiste à série como quem joga um videogame. Ele ganha mais poder, armas e informações à medida que avança”, diz o professor de TV e cinema David Lavery, da Universidade Brunel, em Londres, e autor de Desvendando os Mistérios de Lost, que está sendo lançado no Brasil.
E para se manter afiado nesse jogo não adianta ficar sentado na poltrona, pegar uma cerveja na hora do intervalo e obedecer ao mantra “Continue com a nossa programação” depois que sobem os créditos.
A experiência de acompanhar Lost, afinal, não acaba quando um episódio termina. É nessa hora que o tal universo paralelo na rede começa a ferver. “A internet mudou o jeito como vemos TV. Instantaneamente, milhares de pessoas reagem ao episódio que acabou de ir ao ar. Seria idiota não prestar atenção a isso”, declarou o diretor J.J. Abrams, um dos criadores da série. Muitos desses fãs, aliás, “reagem ao episódio” MESES ANTES de ele passar na televisão. O que não falta é gente que se acostumou a ver Lost, e outras séries, sem que haja uma emissora transmitindo a coisa. É baixar num site qualquer de troca de arquivos e pronto. E isso é mais um sinal de que o futuro está aqui. De que a televisão que a gente conhece, aquela em que domingo é dia de Fantástico e que a novela das 8 começa religiosamente às 9, está dando seus últimos suspiros.
Para entender melhor essa revolução, voltemos ao dia 9 de novembro de 2006, logo após a exibição do 6º episódio da 3ª temporada de Lost. Era o penúltimo capítulo antes de uma pausa de 3 meses na série – que volta ao ar nos EUA a partir de 7 de fevereiro. Bom, nessa noite, fóruns de internet e blogs já tinham centenas de comentários sobre a polêmica da vez. Com base em uma única frase dita por um dos personagens, surgiu a tese de que o líder dos Outros, Benjamin Linus, é subordinado a Jacob Vanderfield, diretor da Hanso Foundation, a empresa por trás dos acontecimentos da ilha.

Detalhe: quem apenas assiste à série na TV nunca ouviu falar nesse tal Jacob Vanderfield. Ele só existe no mundo extratelevisivo de Lost – até setembro do ano passado, a Hanso Foundation tinha seu próprio site oficial, com lista de “membros da diretoria”. Claro que ele foi descoberto pelos fãs antes de a emissora que criou a série, a ABC, anunciá-lo oficialmente.
Pouco depois da exibição nos EUA, o episódio surgiu na internet. E já começavam a pipocar versões com legendas para várias línguas, feitas na raça por fãs que tinham acabado de baixar o episódio. Pronto: no dia 10 de novembro gente de todo o planeta dava suas contribuições à mais nova teoria sobre o que, afinal de contas, está acontecendo na ilha. Nesse processo todo, o que a TV tradicional fez foi transmitir o sinal de Lost para os EUA. O resto ficou nas mãos de pessoas comuns, como eu e você.
Mais sobre Lost:
Lostpedia:Maior enciclopédia dedicada a Lost
www.4815162342.com:Fórum com centenas teorias sobre o que está acontecendo na ilha
www.lostbrasil.com:Maior comunidade do Brasil dedicada a série



























comentou em 06/03/2008 às 01:03
Já havia lido esta reportagem da Super a alguns meses. Acho que o autor superestimou o efeito Lost. A TV tal qual ela é vai continuar por muuuuuuuuuuuito tempo.
Viva muitos anos e vc. irá comprovar o que estou dizendo.
Um abc
Lúcio
comentou em 06/03/2008 às 02:03
Bem, vejamos…
Esta matéria publicada na Folha de S. Paulo, em 28/01/2008, afirma: “O brasileiro das classes A e B viu menos TV em 2007 do que em 2006, segundo estudo inédito do Ibope. (…) A queda entre os mais ricos e entre crianças e adolescentes indica que as pessoas estão desligando seus televisores para se dedicarem exclusivamente à internet ou a outras atividades.”
Acredito que esta seja uma tendência. Por exemplo: porque vou ficar horas esperando uma matéria no Jornal Nacional (que não é exemplo de bom jornal, mas é popular), se é possível acessar qualquer site de notícias e manter-se informado a qualquer instante? Ou mesmo saber informações sobre uma série ou novela.
Um beijo!!!
comentou em 06/03/2008 às 02:03
O que posso dizer é: antes de Lost, eu não baixava séries por mirc, torrent, ou qualquer outra coisa. Era locadora mesmo. E acho que é isso que está mudando. Isso que está revolucionado a TV. Ela vai segurar ninguém mais na frente dela por causa de algum programa.
comentou em 14/06/2008 às 03:06
Eu acho extremamente rídiculo criar uma série de Tv sendo que a parte crucial do seu conteúdo não está na propria Tv.
Existe pessoas como eu que não tem tempo pra ficar vasculhando a internet á proucura de informaçoes sobre uma série de Tv. Lost não vai acabar com a tv, pois a cri~ção da motocicleta não quer dizer o fim da bicicleta!